quarta-feira, 24 de julho de 2013

Marco zero

Há umas semanas me vi presa a uma frase dita por uma amiga e passei um tempo refletindo a respeito do ponto central da afirmação: afinal, o que é começar do zero? Aliás, quando não estamos começando do zero? Todos os dias há dezenas de ações que precisam ser refeitas e coisas que devem ser renovadas ou trocadas. A vida é um incessante começar do zero por si só, ainda que sejam parte de uma construção constante de nós mesmos. Toda vez que coloco minhas lentes de contato, penso comigo que meu dia acabou de começar. Lembro também que devo fazer valer aquele momento no qual, mais uma vez, começo a enxergar o mundo da melhor maneira que consigo. Banhos, escova de dentes, comida, tudo começando do zero para mais uma jornada de vida. Recordo-me do dia em que minha mãe comentou o quanto trabalho doméstico é uma grande perda de tempo, já que em pouco tempo tudo precisará ser refeito. Ainda assim, como não fazê-lo? É quase como concordar com a criança que negligencia o banho porque em instante se sujará novamente. Mesmo assim, lá vai ela pro chuveiro, começar do zero; o banho de mais cedo não interessa. Ao iniciar uma corrida matinal, não importa se você corre há anos ou há semanas, aquela corrida vai começar do zero e durar enquanto o coração permitir. O mesmo com as relações: todas começam do zero, independente do passado de ambos. Ninguém vira para o companheiro e diz “olha, já discuti com meu segundo namorado essa questão, não vou me repetir com você”. Devemos, sim, aceitar que vida é um eterno repetir-se; basta olhar para o pôr do sol e tirar a prova. E claro que devemos respeitar e sermos gratos por tais repetições. Afinal, o que seria de nós sem a certeza de um novo amanhecer?

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