segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Meridiamar

Não estamos apenas distantes no espaço, estamos no tempo também. Bem verdade que se trata de somente uma hora, a menor diferença fuso horária possível. Mas ainda assim, é tão cheia de significados essa distância. Se antigamente alguém me dissesse estar a uma hora de distância, eu prontamente perguntaria “de carro ou a pé?”.

Mas agora meu contexto mudou. Quanto penso que estou a uma hora de distância de você, entendo que, mesmo acordando mais cedo, posso despertar depois de você. Voltar na última hora do dia é saber que, para você, já é o dia seguinte; se você já não estivesse dormindo, perguntaria se o dia vindouro lhe parece bom. Quando me dá fome um tempo depois do meio dia, só me resta perguntar se seu almoço estava bom, já que quase nunca penso em comida a tempo de lhe desejar bom almoço.

São pequenas coisas, mas que me marcam sempre que me atento a elas. E me lembram que a distância temporal também tem a ver com esperas. Esperar o próximo feriado, o próximo ônibus, o próximo avião. Para então ficarmos bem próximos, o máximo de tempo possível.

Então, de repente, o tempo pirraça e resolve passar mais rápido do que deveria. O lugar no tempo que nos pertence fica no passado. E voltamos a ficar a uma hora de distância. Exatamente uma hora. De carro ou a pé?