sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Ficam os anéis

Estações do ano bem definidas. Não entendia ao certo do que se tratava, mesmo assim escrevia com convicção para conseguir pontos nas avaliações de geografia. Mas, de todas essas definições, a que menos despertava meu interesse e não explicava muita coisa era o outono. Qual a graça de folhas secas que caem e sujam tudo?

Como há pouco mais de um ano esse ciclo climático faz parte de minha vida, consigo ver que há muito mais do que isso no outono. Não é apenas o aumento gradual do frio que vai inviabilizando a permanência das folhas. Nem são quedas aleatórias que transformam as fibras folhosas em adubo. Na verdade, é a metáfora mais bela das estações.

Para mim, é o entendimento da natureza de que, em uma dada altura, é necessário se despir para enfrentar climas adversos. É ter a convicção de que a força das nossas estruturas continua capaz de fazer algo belo, ainda que apenas meses depois. Muito mais belo, na verdade, já que o tempo (ah, o tempo), sempre nos faz maiores.

E a beleza cresce. O tronco ganha mais um anel, as raízes fincam mais profundamente. Surgem mais galhos e bifurcações capazes de exibir mais beleza. Enquanto há vida, é assim que se segue. São batalhas vencidas com flores.