quarta-feira, 16 de maio de 2012
Golpe de humanidade
Se tem um livro pelo qual sou apaixonada, é “Cem anos de solidão”. Não apenas pela escrita majestosa, personagens densos e acontecimentos imprevisíveis, mas principalmente por tratar basicamente de temas universais e típicos da natureza humana. Não importa a geração ou o lugar: a vida é um eterno repetir-se, cheia de sentimentos, presenças e solidão.
Essa universalidade dos fatos muito tem a ver com as característica imutáveis que os seres humanos, em geral, carregam em si. Seja para rir de uma situação que era engraçada séculos atrás, seja para entender que o poder, independente da era, subirá à cabeça de muitos que são, por natureza, tiranos. Está impregnada no DNA humano a tendência a excluir e julgar os diferentes, menosprezar os que incomodam e querer sempre o que não se tem. Basta observar a socialização de crianças no jardim de infância para constatar que as condutas sociais são moldada, a priori, pela natureza humana.
Ouvi mais cedo a respeito de uma mulher que caiu “no tão conhecido golpe do bilhete premiado”. Pasmei ao ouvir também que há, em média, 16 novo casos de pessoas que caem nesse golpe todos os meses. É incrível como essas vítimas, que no fundo acham que estão tendo a chance de tirar proveito de outrem, deixam-se envolver pela situação a ponto de não ponderar os fato. É como se a ideia de se beneficiar ajudando um ingênuo tivesse o poder de afastar prontamente qualquer vestígio de bondade ou racionalidade. E é se valendo dessa previsível característica humana que os golpistas seguem repetindo seu modus operandi e batendo sua média mensal.
Da mesma forma que existem pessoas que caem no golpe, há muitas que deixam de realmente ajudar ou serem ajudadas exatamente por julgarem as qualidades negativas da natureza humana e, por precaução, se anteciparem. Recordo-me de uma vez que eu, inadvertidamente, dei carona a uma senhora que subia uma ladeira com compras. Segundo a polícia, um risco, já que podia haver alguém pronto para me assaltar assim que eu abrisse a porta. Mas nada houve e minha atitude arriscada foi muito boa para ambas. Como nesse caso, claro que há exceções de condutas e resultado, mas, no geral, devemos lembrar que não existe almoço de graça. Infelizmente, mais uma herança da bendita natureza humana.
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