O mundo não para quando estamos apaixonados. Mas deveria. A paixão faz o tempo enlouquecer: uma hora vira quinze minutos na presença dele, mas os cinco minutos para encontrá-lo viram meia hora em um passe de mágica. As horas vagas na mente se multiplicam, e cada detalhe preenche facilmente aquele espaço vago que criamos especialmente para ele.
Deveria existir a licença-paixão. Assim, os apaixonados teriam o direito de escolher um dia para esgotar o corpo de pensamentos e bobeiras típicas desse estado de espírito tão único e agradável. Um dia para amenizar os efeitos das borboletas indo e vindo no estômago, dos risos bobos, dos abraços sem fim, dos cheiros, gostos e calores. Um dia livre de tudo, cheio do nada típico das paixões.
Porque quando estamos apaixonados, não nos importamos se o mundo vai acabar. Mas só não pode acabar agora. A não ser que seja ao lado dele, transformando em eternos os últimos instantes, suspendendo o fim. Quando há paixão, esquecemos até de nós mesmos. Perdemos noites às vésperas de uma reunião importante, deixamos de ir para uma tremenda festa só para ficar horas de bobeira ao lado dele, ficamos perdidos relendo uma mensagem de celular e nos achamos rindo quando falamos dele.
A paixão cria um mundo à parte. Um mundo no qual cabe a insolência de usar um hidratante com cheiro de chiclete para ele ficar com o cheiro na pele depois. Um mundo onde se fala pertinho, olhando nos olhos, fazendo carinhas e beijando um sinal, uma sarda ou uma tatuagem. A paixão cria um mundo individualista, que não liga pro mundão que o rodeia, já que este tem a audácia de continuar girando. A paixão cria um mundo infinito, mas que nele só cabe um par.