terça-feira, 26 de julho de 2016

Sobre nós

Confesso que atualmente tenho uma grande dificuldade em dizer que amo alguém. Independentemente do quanto eu ame. Cheguei a ter alguns conflitos quando desconfiei que talvez eu fosse uma pessoa incapacitada para o amor. Mas isso não fazia sentido quando me via louca por alguém, desejando conseguir o mundo para fazê-lo sorrir. Então me permiti aceitar que amo, que tenho a capacidade de construir o amor dentro de mim e entregá-lo com zelo, da melhor forma que posso.
Mas um dia vi o amor fazer mal; foi quando descobri, na prática, que ele pode acabar. Há os que digam que nunca foi amor, que ele não acaba. Mas prefiro ficar com os dizeres de Vinícius de Moraes e entender que é infinito enquanto dura, mas não é eterno. Creio que essa teoria acerca do amor sem fim se baseie nos casos em que as pessoas deixam de se amar, mas fingem que se amam, ou quando, por razões alheias a alguma das vontades, o amor deixa de ser praticado. Sim, porque para mim amor é prática, é contato, dedicação e entrega. Então, quando o amor não completa o seu ciclo natural, cuja duração é imprevisível, ele pode persistir defeituoso e ter uma sobrevigência, como se eterno fosse. E esse período de sobrevigência, que é uma das coisas mais tristes de se ver, pode machucar bastante. Por isso passei a ter mais cautela em anunciar meu amor.
Com você, reconheço esse sentimento há algum tempo. E digo várias vezes em minha cabeça “eu te amo”. Chamo você de “amor” e “meu amor” em pensamento incontáveis vezes. Mas escrevo “lindo”, “meu bem” ou “xuxu”. Estamos longe, então tenho medo de não ser bem assim. De eu estar enganada ou de nossas circunstâncias estabelecerem um prazo curto para o amor que acredito sentir. E quero te ver feliz; a ideia de te decepcionar ou te magoar acaba comigo. Todos os dias que digo para você ir para cama me lembram que preciso ser responsável. Então aguardo para lhe dizer somente em sonho sobre esse amor. Pelo menos por enquanto.

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