“Que sirva de exemplo”. Oração simples no presente do subjuntivo expressando uma ordem. Uma frase que já foi dita em momentos históricos perversos, com a pretensão de se sobrepor, causar temor e exercer domínio. E ontem não foi diferente.
O prefeito de Salvador, durante uma coletiva de imprensa, foi traído pelas palavras ao exprimir sua intenção acerca da população soteropolitana. Só faltou dizer “bem feito”. Mas os olhares públicos tendem a refrear o sentimento sórdido que os políticos, essa elite cínica, têm do povo.
Nós sabemos exatamente o que ele e seus pares pensam sobre pobres, pretos e pessoas que vivem à margem da sociedade. Não é novidade, mas, para assegurar o sucesso nas urnas, eles fingem que não é nada disso que estamos pensando. Infelizmente, alguns, reprimidos pela falta de cidadania e pela ignorância, acabam por acreditar no espetáculo eleitoreiro. E fatalmente o neto ganha, garantindo a manutenção de seus privilégios por mais algumas gerações.
A detenção de um patrimônio incomensurável tem ligação direta com o fato de essa e tantas outras famílias terem sido condenadas a viver indignamente. Os recursos são escassos: se sobra de um lado, inevitavelmente vai faltar em outro. Para alguém ganhar tanto assim, muitos precisam perder, não tem jeito. E eles sabem disso. E desdenham da plebe, na privacidade de seus lares caros e bem edificados, cercados pelos seus.
“Aqueles que não conseguem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo”. Pois lembremos do real significado das palavras proferidas pelo neto. Um ato falho que veio muito a calhar. Que as próximas eleições sirvam de exemplo para todos eles.
http://www.metro1.com.br/noticias/cidade/51230,infelizmente-que-sirva-de-exemplo-diz-prefeito-sobre-tragedia-de-pituacu.html
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